Quantas vezes nos enganamos com relação às pessoas! Criamos o desenho de uma criatura quase perfeita, totalmente harmonizada com nossa visão de mundo, para logo depois descobrir que era um simples e mal acabado rascunho. Brigamos! Esbravejamos! Mas sempre damos a volta por cima e deixamos ao encargo da vida a inspiração da próxima arte.
Prostrada vi que todo o tempo lá estavas,
camuflado em abstratas formas, perfeito.
Se tua força meu racional manda às favas,
por que o ar se rarefaz te torturando o peito?
Tão atordoada com teu destoante esboço
mergulhei no confuso caos dessa razão.
Sentimentos querendo implodir o esforço
para que um tal domínio me volte à mão.
Coração tombado pela confusa marcha
dos sentidos despertos, perfilados, armados,
desafiando as certezas que deixaram marca
no fogo cruzado entre os querelantes lados.
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