PESQUISE

10/03/2017

Confesso


As paixões apenas imaginadas fazem parte da vida de qualquer criatura com sentimentos. A imaginação muitas vezes cria cenários tão milimetricamente harmoniosos e felizes que passamos a desejar tornar o sonho real. E o perigo mora aí! Nem sempre o doce colorido resiste ao dia a dia.



Não mais haverei de te deitar morno olhar,
porquanto orbitamos divergentes esferas,
com distintas fronteiras encravadas no mar,
somos cargas iguais eternizando as esperas.

Se a união dessas cargas só gerou repulsão,
projetando os corpos em contrários sentidos,
o atrito das almas contrariou a questão,
ao dobrar os joelhos dos instintos rendidos.

E de joelhos estarei te amparando o orgulho,
apenas se aprenderes que o recuo é sublime
e que a visão clarifica exorcizando o augúrio,
destinado às intenções condenadas, se crime.

Mas se culpada fui em malsão julgamento,
repudio-te os métodos de arbitrário juiz,
me negando a defesa que total livramento,
dar-me-ia na batida desse martelo infeliz.

Confesso-me culpada pelas nuvens nos pés,
desde que juntos corremos a alegres brincar,
desejei possuir o intenso homem que és,
apesar da tristeza que é amar sem tocar.

Contrita, também me declaro inocente,
se a intenção defendida é contrária à dor,
simbolizando a fusão de uma alma carente
com um espírito de luz destinado ao amor.


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