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16/03/2017

Saber amar

Saber amar é saber viver intensamente



Um verso de amor encanta sempre,
quer faça sorrir ou faça chorar,
saber amar é um elixir potente
que cura as feridas que a vida deixar.

Sentimentos rimados atiçam sentidos
ferindo reinados limados, perdidos,
alados hiatos de gritos contidos
gestando cenários de bravos instintos.





10/03/2017

O Sorriso I




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As mães que esperam pacientemente por uma cura sabem o valor inestimável do sorriso de um filho enfermo. É a renovação da fé e da esperança de quem clama por um milagre. Nos tempos atuais, a maior das doenças que acomete nossos jovens é a dependência química, cujos efeitos são tão devastadores que poucos conseguem se curar sem ajuda especializada. Os familiares precisam de muita força e amor para viver um dia de cada vez, acreditando sempre que a cura virá



Pasma, me descobri assaz rendida
e tão irremediavelmente presa,
ao instante cuja chama acesa
era a luz por toda dor banida.

O poder de expurgar desalento
é desse teu nascente sorriso,
que contraiu ali prévio aviso,
de ser cura calando o lamento.

Se o tempo quis te devolver asas
da meninice cedo abatida,
recupera a inocência perdida,
limando os erros de escolhas rasas.

Louva a chance de agir diferente,
domando o mundo com a coragem,
que os fortes trazem qual tatuagem,
cravada em cruz no peito valente.

Teu sorriso, meu filho, resgatou
minha já terminal esperança,
presa a dura pena sem fiança,
onde até choro o tempo matou.

Anseio por mais um só sorriso!
Mil e uma encarnações ofereço!
Meu ventre ao parir o recomeço
te dará lugar num paraíso.



O sofrimento da família é grande, mas o maior sofrimento é desse dependente, porque sua vontade já não existe e ele dificilmente terá forças para superar o vício sozinho. Nos raros momentos de lucidez a dor que ele sente vai além do debilitado corpo físico...a alma grita e chora, porque não quer aquela prisão. Mas a dependência mantém seus sofridos soldados acorrentados, forçando-os a se manter no vício. É preciso acreditar no poder do amor e jamais abandonar, por mais que a vida se torne pesada. Mantenha sempre suas mãos estendidas ao filho doente, para que ele possa ver que tem seu apoio incondicional. Que pode agarrar aquela mão estendida e sair do fundo do poço, já que seu corpo já não tem forças para subir sozinho. Seja luz para que ele enxergue a saída; seja força para que ele consiga se levantar; seja compaixão para que ele se fortaleça; seja amor para que ele se inspire nesse sentimento de luz e perceba que não é um trapo humano mas um ser feito para a felicidade.

Dura Lição

Forest scene stock photo


O amor é universal e tem muitas facetas. No enlace homem-mulher (ou outras combinações) muitas vezes confundimos nossas cabeças e corações, achando que estamos amando aquele outro ser. Mas, na maioria das vezes estamos apenas sendo alvos de nossa própria inexperiência ou carência. É comum confundirmos, por exemplo, o primeiro namorado com o primeiro amor, porque as sensações despertadas nos elevam a um estágio de paixão tão embriagante que passamos a desejar viver aquilo para sempre. Daí achamos ser amor. Mas AMOR tem a ver com conhecimento e aceitação profunda do outro e da gente, resultando numa mútua felicidade. Em nada parece com a louca montanha-russa das paixões, cujos sentimentos entram em verdadeira ebulição, causando decepções e tristezas depois que voltam ao estado normal. Finda a paixão, tomamos posse novamente de nossa lucidez e percebemos que aquele príncipe não tem nada de nobre, como achávamos, à princípio.





Que fazias lá?
Metido no sono,
semblante risonho,
com cheiro de mar?



Fazias o quê?
Com cara de anjo,
nas mãos um arranjo,
regado a saquê?

Entrou sem convite
com jeito de posse,
na voz de deboche,
já dando palpite.

Tomou para si
minha mocidade
e a verde verdade
que nascia ali.

Saiu saciado,
trotando feliz,
qual um aprendiz
do cão enviado.

Só a crença deixou
que só vive bem,
quem olha além,
do infame amor.


Cura




É comum cruzarmos nossos caminhos com pessoas envolvidas em trilhas duvidosas,confundindo conceitos de bem e mal, de certo e errado, em prejuízo próprio e de outros. Temos, então, duas escolhas: ou fingir que nada vimos e seguir em frente ou tentar ajudar de alguma forma.  Isso depende da educação moral e vivência de cada um. Vale lembrar que a Lei do Retorno é soberana e saberá lhe retribuir toda a bondade que distribuir por seus caminhos. O inverso também é verdadeiro.



Operar culpas com tão precisas incisões,
nos eleva a obstinados cirurgiões sociais,
cerebrais defensores das virtudes morais,
dissecando a vileza mortal de milhões.

Que te fica além de um grito cortante
se desferes duros golpes sem piedade?
Se apenas os restos mortais da verdade
sobram acolhidos na  mortalha do instante?

Se a mais perfeita sutura deixará cicatriz,
curando o corpo para usufruto da vida,
que farás se a sequela é de alma tolhida?

Num brinde ao resgate da missão de aprendiz,
tua humana essência há de curar a ferida,
sem que o espírito te aponte como infame juiz.



Soneto Assombrado






Esse soneto vai lhe ajudar a exorcizar aquela paixão do passado que teima em assombrar sua vida. Livre-se desse mal para sempre!



Involuntário é o esgar desdenhoso
que num repente me enrijece a feição,
se o inconsciente mergulha teimoso,
e me arremessa ao teu encontro no chão.

Bélicas mãos no cerne da lembrança,
apertam até que a mortal palidez,
devolva aos sete palmos sem fiança,
todo o peso do passado de uma vez!

Remissão para esse infame desejo,
que se alimenta de um insano luto,
qual abutre farejando um cortejo,

é mantra acrisolado quando o vejo,
peso igual a mostrar salvo-conduto,
credo em cruz entoado num rastejo.


Lembre-se: as paixões são passageiras e estão sujeitas ao seu comando! Mantenha as rédeas da situação, garantindo sua felicidade. Se perceber que ao invés de alegria tem convivido com tristeza e lágrimas retome o leme de sua vida e exorcize seu fantasma, dando lugar a um sentimento de verdade que te acarinhe a alma e aqueça o coração.

Cala-te!



Resultado de imagem para cala-te!


Estamos sempre questionando o mundo, na constante busca por respostas que nos aquietem o coração. Mas nem sempre tiramos felizes conclusões do que a vida nos mostra. Nesses momentos, preferimos a solidão. Preferimos nos concentrar no silêncio como forma de melhor compreender os sinais que nos foram enviados. A hora é de organizar os pensamentos, rever prioridades, enxugar as lágrimas, absorver a energia do cosmos e partir para enfrentar nossos desafios diários, agradecendo à vida por nossa incrível capacidade de superação. As decepções acontecem apenas com um único propósito: tornarmo-nos resistentes. 


Cala-te, Mundo! Teu festivo som me irrita!
Minh'alma tem uma vastidão de universo,
sem as respostas que resgatam do inferno,
disfarçado sob o estéril cancro da ferida.

Disfarçado sob o estéril cancro da ferida,
mora a vida desnuda da máscara do viço,
com seus pálidos tons de morte em litígio,
enfeitiça com o fervor de doce noviça.

Sem as respostas que resgatam do inferno,
seguimos o estupor da coletiva cegueira,
alternando luz e trevas em direção à fogueira,
cultivamos estulta alma no lodaçal interno.

Minh'alma tem uma vastidão de universo,
ora em agonia, ora encenando ato de fé,
cujo milagre maior vai me mantendo em pé,
qual dedo em riste em obsceno gesto.

Cala-te, Mundo! Teu festivo som me irrita!
Não vês que sozinha te aprisiono os mistérios,
lapidando em respostas a erosão dos minérios,
que abrigas no ventre fervilhante de vida?

Queria tão pouco do tanto que ostentas!
Que o ato de fé impregnado fosse na alegria
de alforriar a penúria das noites e dos dias,
travestindo o soluço em casquinadas magentas.

Caos


Close up of two fists hitting each other over dramatic sky background
Quantas vezes nos enganamos com relação às pessoas! Criamos o desenho de uma criatura quase perfeita, totalmente harmonizada com nossa visão de mundo, para logo depois descobrir que era um simples e mal acabado rascunho. Brigamos! Esbravejamos! Mas sempre damos a volta por cima e deixamos ao encargo da vida a inspiração da próxima arte.




Prostrada vi que todo o tempo lá estavas,
camuflado em abstratas formas, perfeito.
Se tua força meu racional manda às favas,
por que o ar se rarefaz te torturando o peito?

Tão atordoada com teu destoante esboço
mergulhei no confuso caos dessa razão.
Sentimentos querendo implodir o esforço
para que um tal domínio me volte à mão.

Coração tombado pela confusa marcha
dos sentidos despertos, perfilados, armados,
desafiando as certezas que deixaram marca
no fogo cruzado entre os querelantes lados.



Tudo Tem Um Sentido!

Azul, Planetas, Fantasia, Surreal, Céu

Precisamos manter nossos pés bem fincados no chão, afim de garantir passos seguros sempre rumo ao futuro almejado. Isso não significa que não devamos sonhar, antecipando o prazer que há de nos tomar a cada esperada conquista. Esse é um dos maiores combustíveis para a realização dos desejos..sonhar! Muito e sempre! Apesar das surpresas que a vida introduz em alguns desses momentos, tornando o despertar necessário e imediato. Sonhos são bons, mas cuidado com os personagens que permite fazer parte do enredo e mais cuidado ainda com as expectativas criadas em torno da história idealizada.




Meu pote de vida imaginava tão cheio!
Repleto de grandes conquistas morais,
com troféus reluzentes das batalhas do meio,
disputadas aos tapas com infames rivais.

Tantas provas de força me marcaram à ferro,
esculpindo a carne no mais bruto cristal.
Fiz-me dura, admito, mas ainda choro se erro,
me forçando a rever o desfecho final.

Idealizo amores aprisionando-os, possessiva,
em poemas germinados nas minhas verdades,
onde amantes subvertem uma história passiva,
mitigando os hipócritas e seus reativos alardes.

No respeito aos limites da reinante moral,
a paixão alimento na frugalidade das rimas.
E essa intensa entrega é a prova cabal,
de que plena é a verdade que a alma assina.

Meu pote de vida imaginava tão cheio...
Até bem pouco minha vida assim seguiria,
se você não tivesse me imposto um freio,
duvidando que as histórias sejam só fantasia.

Agora entendo a lição que irá para o pote,
reivindicada por ti no papel que te coube:
Decretar meus anseios a uma pena de morte,
é temer que a pureza o espírito lhe roube.




Confesso


As paixões apenas imaginadas fazem parte da vida de qualquer criatura com sentimentos. A imaginação muitas vezes cria cenários tão milimetricamente harmoniosos e felizes que passamos a desejar tornar o sonho real. E o perigo mora aí! Nem sempre o doce colorido resiste ao dia a dia.



Não mais haverei de te deitar morno olhar,
porquanto orbitamos divergentes esferas,
com distintas fronteiras encravadas no mar,
somos cargas iguais eternizando as esperas.

Se a união dessas cargas só gerou repulsão,
projetando os corpos em contrários sentidos,
o atrito das almas contrariou a questão,
ao dobrar os joelhos dos instintos rendidos.

E de joelhos estarei te amparando o orgulho,
apenas se aprenderes que o recuo é sublime
e que a visão clarifica exorcizando o augúrio,
destinado às intenções condenadas, se crime.

Mas se culpada fui em malsão julgamento,
repudio-te os métodos de arbitrário juiz,
me negando a defesa que total livramento,
dar-me-ia na batida desse martelo infeliz.

Confesso-me culpada pelas nuvens nos pés,
desde que juntos corremos a alegres brincar,
desejei possuir o intenso homem que és,
apesar da tristeza que é amar sem tocar.

Contrita, também me declaro inocente,
se a intenção defendida é contrária à dor,
simbolizando a fusão de uma alma carente
com um espírito de luz destinado ao amor.


Meu Lago

Doca, Lago, Água, Natureza, Outdoor




Esses olhos d'água me acolhem serenos
quando triste sento aos seus frios pés.
E o ranger do deck sob os passos pequenos,
é cantiga que louva quão importante és.

Quedo-me entregue aos sábios conselhos
que me chegam vãs no farfalhar das águas,
nas intermitentes cristas e ventos arteiros,
regurgito em espasmos essas pesadas mágoas.

Tão plena de ti recebo o doce carinho
me lamber de vento numa lufada forte,
no trêmulo bafo com cheiro de pinho,
te ofereço a vida para possuir a morte.

Dedos sentindo todo esse frio aconchego,
que brincam revolvendo a branca espuma,
das ondas suaves que desbravam o medo,
ancorando-o inteiro em submersa escuna.

Nas águas profundas e negras só harmonia,
refletindo as estrelas que a madrugada criou,
como um manto sedoso a me cobrir de agonia,
desejo ardente entregar o que o mundo tirou.






09/03/2017

Esquecendo



Não Te Esqueças De Mim, Flor



Falo aqui em platonismo. Em paixão vivida em silêncio, unilateralmente. Só quem já amordaçou o coração sabe a dor que causa desejar alguém em segredo, seja por que motivo for. Cada um tem suas razões. Mas chega a hora do tudo ou nada: ou confessamos o que nos vai na alma ou mudamos de rumo. Afinal, o que ganhamos em alimentar sofrimentos? Tristeza, apenas tristeza. O miosótis ou não-me-esqueças, como também é conhecido, celebra bem esse sentimento.




Em meio a verde relva rasteira
eternos fios brotavam acobreados,
da ferrugem da terra coroados,
enfeitados com gavinhas de videira.

Miosótis em lindos buquês turquesa
sopravam sua esperança aos ventos
entoando numa canção seu intento:
Não-me-esqueças, não-me-esqueças!

A lânguida campina no sopé da montanha
tinha primaveris ares de paraíso perdido,
qual redoma invisível pelo infinito erguido
na busca da paz que a vida abocanha.

Refúgio que acolhe o espírito em retiro,
agoniado de saudade do que não viveu,
quer sepultar o corpo que de desejo tremeu
no esperado abraço que lhe negou o destino.

Quero lá enterrar essa vontade de torna-lo meu!
E que lá também fique a impaciente espera
que me ronda dominante qual rastro de fera
triunfante na certeza que o abate se deu!

Quero lá despejar o amor em funda cova,
que há de se transmutar em fios de luz,
brotando da terra como miosótis azuis,
num constante florescer que tudo renova.

Alma Minha




Singrando tão leve por sobre a ponte
que liga o fértil campo dos sonhos,
nas lembranças do coração tristonho,
real e imaginário recriam o horizonte.

O real tem os pés descalços e pesados
da jornada doentia de eterno caminhar,
sem paradas na fresca sombra do jatobá
ou alívio do peso nos ombros cansados.

Tem loucos olhos de assídua miragem,
chorosos, mas seguem sempre em frente,
desejando merecer da vida um presente
não a garupa suicida que aos fracos cabe.

Mas basta que os olhos num rápido cerrar
levem a débil alma para a criada trama
e lhe calce os sofridos pés de verde grama
e deixe as alegres asas lhe arrebatar.

No imaginário mundo de coloridos ipês,
doces frísias inebriam com seu incenso,
as almas gêmeas em enlace intenso,
vivendo o amor que o encarnar desfez.

É nessa campina de contentes amores
que minhas mãos te alcançam felizes!
Perdoando-te na matéria os deslizes
até que a eterna união nos cure as dores.


06/02/2016

Cruel Mordaça

Tristeza, Sem Esperança, Stone, Estátua

Vil mordaça que na boca cala,
pueris desejos de infinita alegria,
abortando no peito o amor que nascia,
docemente envolvido em roupa de gala.

Que doces eflúvios emanariam daí!
Almas perfumadas em gentis fluidos...
Se a negra mordaça dos odores pútridos
não ferisse de morte o que ia surgir!

Quisera que a mão que o castigo aplica
escutasse da boca o derradeiro ardor,
que antes do suplício sussurrava:"Amor,
um beijo sela o que a verdade abriga."

Pereceu a triste alma em confinada mudez
definhando mesmo depois de liberta,
pois refluxo de amor é ferida aberta,
enlutando a existência em cruel viuvez.

Um dia hei de arrancar a mordaça!
Já tão minha e de secular herança.
Para gritar que ainda tenho esperança,
de te envolver inteiro no que o amor abarca.

Boneco de Neve


Resultado de imagem para inverno gelado



Toda a alegria que me deixa tão pasma,
vem desse toque rescendendo à paixão,
exorcizando esse maldito fantasma,
e libertando as mil correntes do chão.

Vivia reclusa em castelo assombrado,
por precoce escolha fantasiada de amor,
mas a primeira chuva revelou o estrago
e a purpurina do carnaval acabou.

O belo se fez fera aniquilando sonhos,
pisoteando a magia que esperava ali.
Fez do meu sono um despertar medonho
e de minha vida uma prisão sem fim.

Até que a voz replicada nos dedos
tomou posse dos dias e a solidão afastou.
Desafiando toda a sorte de medos
E me mostrando que o sofrimento acabou.

Mas meu desejo quis trazê-lo para mim!
E ele veio em linda fantasia glacial!
E o amor consumou nosso fim,
derretendo o gelo do meu boneco irreal.

A intensidade do pouco que foi vivido,
há de me consolar os soluços no peito.
Já que não posso mantê-lo comigo,
hei de esperar um novo inverno perfeito.

Contemplação


Homem, Horizonte, Paisagem, Mar, Areia


Benditas as paragens que teu olhar acolhe
os pensamentos dispostos em novelo de lã,
questionando, inquieto, por que a vida escolhe,
sofrimentos frementes qual febre terçã.

"Que olhas, amado, tão longe de mim?
 Acaso não vês que estou logo aqui?"

Pesarosa expressão acompanha esse olhar,
perdido acima de gelada escarpa.
Esperando, quem sabe, o horizonte curar
essa dor alojada no coração como farpa.

"Que fazes, amado, tão longe de mim?
  Acaso não vês que estou logo aqui?"

Vento frio enregelando teu lindo rosto,
desafia toda a exaustão a se lançar,
sobre as rochas que apontam o oposto,
das medidas que tomastes sem pensar.

"Que queres, amado, tão longe de mim?
 Acaso não vês que estou logo aqui?"

Deixa sepultadas tuas velhas tristezas,
entre as ermas pedras escaladas da viagem.
Respira da vida tão somente as certezas,
do espírito liberto da pesada roupagem.

"Retorna, amado, para perto de mim!
 Acaso não vês que te amo assim?"

Saudade Tua

Silhueta, Mulher, Árvore, Paisagem

A tal saudade é leviana e flor feita já brota,
sem vingar de botão para pegar de surpresa.
É a tocaia da vida que só anda em frota,
atropelando se a falta já habita a cabeça.

E a falta sentida é de quem falta se sente,
quer exista de fato ou indolente persista
na lembrança fixada sem motivo aparente,
gruda em tudo que toca como doce arnica.

Desassossego de vida que no corpo lateja,
como se fosse ferida que remédio não cura.
Maleita, caxumba ou outra dor que apareça,
não alivia o estrago que seus sintomas apura.

Sol e Lua


Amantes, Sereia, Amor, Pôr Do Sol

Olhos ansiosos encharcados de morna lua,
se alongavam à espreita do esperado enlace,
encravados na face onde o sutil disfarce,
era acarinhar a seda sob essa pele nua.

Mãos tépidas desejando o caminho
dos viris traços em suor envolvidos,
arrepiando os pelos do corpo rendido
ao amor temperado à pitada de vinho.

Arranhar-te-ei entre as coxas bem de leve,
antes de te explorar a tensão aparente.
Qual alpinista galgando cada metro de frente
em batalha de pernas e domínio de pelve.

A ponta da língua há de explorar cada curva
desse másculo corpo tensionado de amor.
Beijar-te-ei longamente absorvendo o calor
até o encaixe perfeito que a vista faz turva.

Passearei nesse corpo desbravando as trilhas,
com o toque ousado que cada canto pede.
Te agarrando forte no arrepio da pele;
Te soltando apenas para alinhar virilhas.

E o ápice virá numa explosão de prazer,
adocicando o quarto com ar de paixão.
E os corpos fundidos se entregando a exaustão,
no abraço molhado vêm o dia nascer.

Eu quero esse sol em eclipse de lua,
possuindo as certezas que o desejo criou.
Desde o toque primeiro que a voz profanou
ao encontro perfeito onde eu vou ser sua.

01/01/2016

Perdição


Homem, Sensual, Masculino, Modelo, Nu

Fujo! Dessa boca quente com sorriso farto,
rescendendo à canela no hálito embriagante.
Sorvo sedenta o escarro do veneno farto,
quebrando gastas querelas num instante.

Fujo! Da serpente nua que essa boca abriga,
em ferozes ondas de saliva doce,
penetrando afoitas todos os vãos que atiça,
na ponta da língua um afiado açoite.

Fujo-te tanto e tão cegamente ultrajada,
que renego já possuída da infernal sentença,
de curvar-me a tua voraz vontade, humilhada,
servil à dura posse que essa carne ostenta.

12/03/2011

Nódoa


Cocaína, Drogas, Morte

Dimensões podres de mundo já se pode ter
estando vivo sem as escolhas do amanhã,
se a rédea da vontade nobre esmaecer
afoga na fétida lama uma alma sã.
  
E consigo outras arrasta algemadas
não obstante os desesperados gritos,
se a rédea da vontade nobre for condenada
afogam-se na fétida lama dos aflitos.







30/03/2010

Lembranças

Banco, Outono, Floresta, Folhas, Árvores


Era noite repleta de lua cheia
perfumada com a fragrância dos lírios
com sinfonias de grilos em delírios
que pululavam felizes na areia.

A riqueza da vida era daquela rua,
de pedras soltas no vermelho chão,
como marcos que apontavam em vão
para aquela porta que sem você é nua.

Andei na noite chutando os marcos 
e o palco noturno emudeceu para mim.
E descobri que tua ausência punha fim
ao mar de sonhos que era nosso barco.

O mundo todo foi na tua mala
e meu bem mais caro coube também lá:
Foi-se contigo meu desejo de amar
com a vaidade do rubro beijo em tua pala.

Foi-se o pedido fervoroso de paixão
ante estrelas cadentes cheias de promessas.
Se até do ladrar do cão vadio tu me lesas,
podias ao menos ter me legado um caixão.

O que faço agora com todo esse nada?
E com teu pijama esquecido na cabeceira?
E com a insônia, essa infame companheira,
que do teu nome fez sua eterna toada? 

Foi-se o lirismo que me enriquecia a rima,
que nascia, doce, do amor risonho,
refletindo em versos aquele nosso sonho
de chegarmos juntos ao andar de cima.

Lembro das nossas conversas ao portão
intercaladas por declarações de amor perene,
e das juras prateadas de lua em voz solene,
e do nosso barzinho, e do apelo daquela canção.

E agora...essa nossa rua despojou-se da riqueza
andando, cabisbaixa, no largo e gasto traje,
bradando, ácida, contra a injustiça de tamanho ultraje:
De ser apenas outra rua mergulhada na tristeza.

Era noite repleta de lua cheia...
Mas, desgraciosa, sem o ardor dos olhos teus
e sem lírios ou grilos ou risos ou Deus!
e sem porta ou aorta ou desejo na veia.

Nunca mais você...
Meu Deus! Meu verso perdeu o fôlego!
e agoniza findando trôpego...
...acho...que vou...morrer.