O amor é universal e tem muitas facetas. No enlace homem-mulher (ou outras combinações) muitas vezes confundimos nossas cabeças e corações, achando que estamos amando aquele outro ser. Mas, na maioria das vezes estamos apenas sendo alvos de nossa própria inexperiência ou carência. É comum confundirmos, por exemplo, o primeiro namorado com o primeiro amor, porque as sensações despertadas nos elevam a um estágio de paixão tão embriagante que passamos a desejar viver aquilo para sempre. Daí achamos ser amor. Mas AMOR tem a ver com conhecimento e aceitação profunda do outro e da gente, resultando numa mútua felicidade. Em nada parece com a louca montanha-russa das paixões, cujos sentimentos entram em verdadeira ebulição, causando decepções e tristezas depois que voltam ao estado normal. Finda a paixão, tomamos posse novamente de nossa lucidez e percebemos que aquele príncipe não tem nada de nobre, como achávamos, à princípio.
Que fazias lá?
Metido no sono,
semblante risonho,
com cheiro de mar?
Fazias o quê?
Com cara de anjo,
nas mãos um arranjo,
regado a saquê?
Entrou sem convite
com jeito de posse,
na voz de deboche,
já dando palpite.
Tomou para si
minha mocidade
e a verde verdade
que nascia ali.
Saiu saciado,
trotando feliz,
qual um aprendiz
do cão enviado.
Só a crença deixou
que só vive bem,
quem olha além,
do infame amor.

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