PESQUISE

09/03/2017

Esquecendo



Não Te Esqueças De Mim, Flor



Falo aqui em platonismo. Em paixão vivida em silêncio, unilateralmente. Só quem já amordaçou o coração sabe a dor que causa desejar alguém em segredo, seja por que motivo for. Cada um tem suas razões. Mas chega a hora do tudo ou nada: ou confessamos o que nos vai na alma ou mudamos de rumo. Afinal, o que ganhamos em alimentar sofrimentos? Tristeza, apenas tristeza. O miosótis ou não-me-esqueças, como também é conhecido, celebra bem esse sentimento.




Em meio a verde relva rasteira
eternos fios brotavam acobreados,
da ferrugem da terra coroados,
enfeitados com gavinhas de videira.

Miosótis em lindos buquês turquesa
sopravam sua esperança aos ventos
entoando numa canção seu intento:
Não-me-esqueças, não-me-esqueças!

A lânguida campina no sopé da montanha
tinha primaveris ares de paraíso perdido,
qual redoma invisível pelo infinito erguido
na busca da paz que a vida abocanha.

Refúgio que acolhe o espírito em retiro,
agoniado de saudade do que não viveu,
quer sepultar o corpo que de desejo tremeu
no esperado abraço que lhe negou o destino.

Quero lá enterrar essa vontade de torna-lo meu!
E que lá também fique a impaciente espera
que me ronda dominante qual rastro de fera
triunfante na certeza que o abate se deu!

Quero lá despejar o amor em funda cova,
que há de se transmutar em fios de luz,
brotando da terra como miosótis azuis,
num constante florescer que tudo renova.

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