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10/03/2017

Soneto Assombrado






Esse soneto vai lhe ajudar a exorcizar aquela paixão do passado que teima em assombrar sua vida. Livre-se desse mal para sempre!



Involuntário é o esgar desdenhoso
que num repente me enrijece a feição,
se o inconsciente mergulha teimoso,
e me arremessa ao teu encontro no chão.

Bélicas mãos no cerne da lembrança,
apertam até que a mortal palidez,
devolva aos sete palmos sem fiança,
todo o peso do passado de uma vez!

Remissão para esse infame desejo,
que se alimenta de um insano luto,
qual abutre farejando um cortejo,

é mantra acrisolado quando o vejo,
peso igual a mostrar salvo-conduto,
credo em cruz entoado num rastejo.


Lembre-se: as paixões são passageiras e estão sujeitas ao seu comando! Mantenha as rédeas da situação, garantindo sua felicidade. Se perceber que ao invés de alegria tem convivido com tristeza e lágrimas retome o leme de sua vida e exorcize seu fantasma, dando lugar a um sentimento de verdade que te acarinhe a alma e aqueça o coração.

Tudo Tem Um Sentido!

Azul, Planetas, Fantasia, Surreal, Céu

Precisamos manter nossos pés bem fincados no chão, afim de garantir passos seguros sempre rumo ao futuro almejado. Isso não significa que não devamos sonhar, antecipando o prazer que há de nos tomar a cada esperada conquista. Esse é um dos maiores combustíveis para a realização dos desejos..sonhar! Muito e sempre! Apesar das surpresas que a vida introduz em alguns desses momentos, tornando o despertar necessário e imediato. Sonhos são bons, mas cuidado com os personagens que permite fazer parte do enredo e mais cuidado ainda com as expectativas criadas em torno da história idealizada.




Meu pote de vida imaginava tão cheio!
Repleto de grandes conquistas morais,
com troféus reluzentes das batalhas do meio,
disputadas aos tapas com infames rivais.

Tantas provas de força me marcaram à ferro,
esculpindo a carne no mais bruto cristal.
Fiz-me dura, admito, mas ainda choro se erro,
me forçando a rever o desfecho final.

Idealizo amores aprisionando-os, possessiva,
em poemas germinados nas minhas verdades,
onde amantes subvertem uma história passiva,
mitigando os hipócritas e seus reativos alardes.

No respeito aos limites da reinante moral,
a paixão alimento na frugalidade das rimas.
E essa intensa entrega é a prova cabal,
de que plena é a verdade que a alma assina.

Meu pote de vida imaginava tão cheio...
Até bem pouco minha vida assim seguiria,
se você não tivesse me imposto um freio,
duvidando que as histórias sejam só fantasia.

Agora entendo a lição que irá para o pote,
reivindicada por ti no papel que te coube:
Decretar meus anseios a uma pena de morte,
é temer que a pureza o espírito lhe roube.




Confesso


As paixões apenas imaginadas fazem parte da vida de qualquer criatura com sentimentos. A imaginação muitas vezes cria cenários tão milimetricamente harmoniosos e felizes que passamos a desejar tornar o sonho real. E o perigo mora aí! Nem sempre o doce colorido resiste ao dia a dia.



Não mais haverei de te deitar morno olhar,
porquanto orbitamos divergentes esferas,
com distintas fronteiras encravadas no mar,
somos cargas iguais eternizando as esperas.

Se a união dessas cargas só gerou repulsão,
projetando os corpos em contrários sentidos,
o atrito das almas contrariou a questão,
ao dobrar os joelhos dos instintos rendidos.

E de joelhos estarei te amparando o orgulho,
apenas se aprenderes que o recuo é sublime
e que a visão clarifica exorcizando o augúrio,
destinado às intenções condenadas, se crime.

Mas se culpada fui em malsão julgamento,
repudio-te os métodos de arbitrário juiz,
me negando a defesa que total livramento,
dar-me-ia na batida desse martelo infeliz.

Confesso-me culpada pelas nuvens nos pés,
desde que juntos corremos a alegres brincar,
desejei possuir o intenso homem que és,
apesar da tristeza que é amar sem tocar.

Contrita, também me declaro inocente,
se a intenção defendida é contrária à dor,
simbolizando a fusão de uma alma carente
com um espírito de luz destinado ao amor.


Meu Lago

Doca, Lago, Água, Natureza, Outdoor




Esses olhos d'água me acolhem serenos
quando triste sento aos seus frios pés.
E o ranger do deck sob os passos pequenos,
é cantiga que louva quão importante és.

Quedo-me entregue aos sábios conselhos
que me chegam vãs no farfalhar das águas,
nas intermitentes cristas e ventos arteiros,
regurgito em espasmos essas pesadas mágoas.

Tão plena de ti recebo o doce carinho
me lamber de vento numa lufada forte,
no trêmulo bafo com cheiro de pinho,
te ofereço a vida para possuir a morte.

Dedos sentindo todo esse frio aconchego,
que brincam revolvendo a branca espuma,
das ondas suaves que desbravam o medo,
ancorando-o inteiro em submersa escuna.

Nas águas profundas e negras só harmonia,
refletindo as estrelas que a madrugada criou,
como um manto sedoso a me cobrir de agonia,
desejo ardente entregar o que o mundo tirou.






09/03/2017

Esquecendo



Não Te Esqueças De Mim, Flor



Falo aqui em platonismo. Em paixão vivida em silêncio, unilateralmente. Só quem já amordaçou o coração sabe a dor que causa desejar alguém em segredo, seja por que motivo for. Cada um tem suas razões. Mas chega a hora do tudo ou nada: ou confessamos o que nos vai na alma ou mudamos de rumo. Afinal, o que ganhamos em alimentar sofrimentos? Tristeza, apenas tristeza. O miosótis ou não-me-esqueças, como também é conhecido, celebra bem esse sentimento.




Em meio a verde relva rasteira
eternos fios brotavam acobreados,
da ferrugem da terra coroados,
enfeitados com gavinhas de videira.

Miosótis em lindos buquês turquesa
sopravam sua esperança aos ventos
entoando numa canção seu intento:
Não-me-esqueças, não-me-esqueças!

A lânguida campina no sopé da montanha
tinha primaveris ares de paraíso perdido,
qual redoma invisível pelo infinito erguido
na busca da paz que a vida abocanha.

Refúgio que acolhe o espírito em retiro,
agoniado de saudade do que não viveu,
quer sepultar o corpo que de desejo tremeu
no esperado abraço que lhe negou o destino.

Quero lá enterrar essa vontade de torna-lo meu!
E que lá também fique a impaciente espera
que me ronda dominante qual rastro de fera
triunfante na certeza que o abate se deu!

Quero lá despejar o amor em funda cova,
que há de se transmutar em fios de luz,
brotando da terra como miosótis azuis,
num constante florescer que tudo renova.