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30/03/2010

Meu Sertão

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Minha saudade vem de lá:
Onde o sol reina mais forte,
podando do povo a sorte,
que a enxada vai capinar.


Onde o consolo da peleja
é um punhado de farinha
e a cachaça que à tardinha,
mata a fome que viceja.


onde as mãos tão calejadas
como os torrões do meu Sertão,
firmes na virgília do irmão,
rezam unidas, ao céu elevadas.


Minha saudade vem de lá:
Onde a mãe no corpo definhado,
dá sangue no leite pelo filho sugado,
cuspindo na morte que o venha tirar.


Onde a luz da noite é do luar 
e a alegria vem das estrelas,
quando os corpos entrevados nas esteiras
sonham que o mundo vai melhorar.


Onde a manhã começa cedo
despertando seus filhos na madrugada, 
para que se apressem na jornada,
antes que a seca semeie o medo.


Minha saudade vem de lá:
Onde namorar ainda é pecado
e o amor é que nem melado
-cada vez mais doce ao paladar.


Onde o rapaz de pele curtida
acaricia as cordas do violão,
com os mesmos braços que soca o pilão
nos grãos de café abençoados da lida.


Onde nos galhos da cajazeira
gorjeiam o pardal e a patativa,
em louvor à natureza altiva,
que só sabe lá ser feiticeira.


É de lá minha saudade,
que sangra tão dolorida,
qual parto de vaca abatida,
pela sede de longa idade.


É no meu Nordeste de seca e fome,
de peste e sede, abandono e choro,
que peço à Deus que no estorricado morro,
repouse o corpo que dessa terra come.




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