PESQUISE

30/03/2010

Onde estás?

Sem teu talhe esguio a nascer no horizonte,
perambulo sem rumo de olhos no chão,
coração delirando o teu nome em vão:
Onde estás, meu amor? Em que monte?


Sem teu cheiro selvagem deleitando a brisa
agonizo arfando pela mão da saudade.
O destino condeno por tamanha maldade,
inquirindo ainda: Onde estás, minha vida?


Sem teus cachos suaves me açoitando a fronte
amanheço desperta do sofrimento cativa,
adormeço no calor da paixão reprimida,
sussurrando febril: Onde estás, meu amante?


Sem você a preguiça é senhora dos dias,
inibindo do peito o reflexo do riso,
que fluía contigo dispensando o aviso
do desejo latente que em meus olhos ardia.


Teu amor era a lua que a dor apagou.
Era o bálsamo da cura, exorcismo das chagas.
A espuma diáfana do meu mar como vagas,
que em ritmado compasso a distância afagou.


Sem você o vazio me acorrentou ao tédio,
preenchendo-me no nada, embotando a visão.
Moribundo, o pranto já não rega a aflição
- sua foz esgotou repelindo o assédio.


Sem você o meu sol acamado padece,
os seus raios tremulam na palidez da geada.
Segredou-me a esperança que mantém confinada
de ouvir os teus passos no fervor dessa prece.


O teu hálito rescende ao perfume das flores,
bailando na boca talhada para o beijo,
que mora no rosto de traços tão meigos
quão belo afresco nascido de amores.


Se um dia te deparares com a calma do cais
e sozinho contemplares a beleza das águas,
hás de escutar um lamento carregado de mágoa:
Onde estás, meu amor? Meu amor, onde estás?

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