Homem, por que tardas?
O frescor de outrora tanto aguardou
que só agora descobre o quanto aguarda
no reflexo em que o espelho só não roubou o ardor.
Onde estás, homem?
A impaciência já semeia desesperança!
Amante etéreo -ou os sentidos me somem?
Meu duende das pálpebras, dá-me o sono por herança!
Em profusão as cores desfilam,
e és a energia de um incolor colorido,
camaleão abstrato que à visão se perfilam
meus anseios de cárcere nesse teu mundo escondido.
O sentido do querer é a essência do desvario
de quem espera o que não há de vir,
e se vem já não se rejeita o vazio,
e se não chega, eterno será o que cingir.
Que venha bailar nas brumas dos sonhos
ou enevoado nos espirais do pensamento,
e se fantasiado no bréu de espectros medonhos,
afugenta-os! E acasala a alma ditosa em lamento.
Só assim serás imortal na paisagem
que o coração pintou na pieguice.
E serás perfeito como o toque da aragem:
Arrepiando inconstância, ma sem par em meiguice.
Homem, questiono tua demora, é certo.
Mas, se clamo que finde é para tê-la ansiada,
dolorida...chaga infecta em peito aberto,
moléstia com receita não aviada.
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